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Entrevista destaca visão artistica de Roberto Monteiros para o carnaval de Vitória com a “Chegou o que Faltava”

O carnavalesco Roberto Monteiro foi o convidado do programa TVE Revista, em entrevista conduzida por Vinícius Vasconcelos, do portal Capixabices, onde falou sobre sua estreia no Carnaval de Vitória e apresentou detalhes do enredo que a Chegou Que Faltava levará para a avenida em 2026.

Em seu primeiro ano atuando no carnaval capixaba, Roberto destacou que, apesar das especificidades locais, o carnaval mantém uma base cultural comum em todo o país, ligada às matrizes africanas e à diáspora negra. Para ele, o diálogo entre os carnavais de Vitória, Rio de Janeiro e São Paulo é natural, resultado de uma mesma estrutura cultural que atravessa o Brasil.

“O carnaval é algo estrutural no país. As ideias circulam, dialogam, e o carnaval capixaba não deve nada a ninguém”, afirmou o carnavalesco durante a entrevista.

Enredo mergulha na cosmologia iorubá

Com o título “Ori to, a cabeça é teu guia”, o enredo da Chegou Que Faltava propõe um mergulho na cosmologia iorubá e nas religiões de matriz africana. A narrativa parte da compreensão de que, diferentemente da visão ocidental, a tradição iorubá não dissocia corpo e cabeça, tratando o Ori como um orixá pessoal, responsável pelo destino e pela condução espiritual do indivíduo.

Segundo Roberto Monteiro, o desfile será construído a partir de narrativas orais ancestrais, transmitidas de geração em geração, que contam desde a criação da cabeça no plano espiritual até sua conexão com os heróis capixabas e o legado deixado às novas gerações.

Unidade visual e narrativa no desfile

Durante a entrevista, o carnavalesco também falou sobre o desenvolvimento do desfile e dos trabalhos no barracão. De acordo com ele, a escola chega à reta final com cronograma em dia, alegorias estruturadas e fantasias praticamente finalizadas.

Um dos pontos que Roberto destacou foi a passagem cromática entre alegorias e alas, criando uma forte unidade visual no desfile.

“Não há quebra entre o chão e as alegorias. Existe uma unidade muito grande, tanto cromática quanto narrativa”, explicou.

Além do impacto visual, Roberto também chamou atenção para o samba-enredo, que ele considera um dos grandes destaques do desfile, ressaltando a importância de “ficar de ouvidos atentos” à apresentação da escola.

Carnaval como espaço de cultura e ancestralidade

Ao longo da conversa, Roberto Monteiro reforçou o papel do carnaval como espaço de preservação cultural, ancestralidade e expressão artística, valorizando o conhecimento transmitido pela oralidade e a força simbólica das tradições afro-brasileiras.

A entrevista evidenciou um desfile que aposta em conteúdo cultural profundo, narrativa clara e identidade visual coesa, colocando a Chegou Que Faltava como uma das escolas a serem observadas no próximo Carnaval de Vitória.